Nós temos Harpya

Antonio de Almeida Lima, Engenheiro Agrônomo do CEPLAC, conta como foi descoberto um ninho de Gavião-Real em Rondônia

Por Antonio de Almeida Lima Antonio de Almeida Lima 17/01/2014

Há cerca de três anos, indo a uma das áreas de produção de sementes híbridas de cacau na unidade de pesquisa da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, em Porto Velho, Rondônia, avistei um exemplar de Gavião-Real (Harpia harpyja) pousado na estrada onde eu haveria de passar.

A aproximação do veículo fez a ave alçar um majestoso voo para pousar num galho de Garapeira, árvore frondosa de nossas florestas. Para mim, não passava de um capricho da natureza, insistente em guardar um solitário último exemplar da espécie, perdido e titubeante, predando aqui e acolá uma presa qualquer. Até o dia em que, este derradeiro representante de tão poderosa ave, tombaria impiedosamente abatido por um “heróico” sitiante, defensor do seu criatório doméstico de pequenos animais.

Há pouco, entra em cena Raymundão - baiano nada abafado e premiado com quase a mesma paciência de Jó - privilegiado pela oportunidade de fotografar um Gavião-Real no alto de uma Bandarra, quem sabe o mesmo exemplar da ave que avistei.

O registro de Raymundão motivou a criação do Projeto Gavião-Real (gaviaoreal.inpa.gov.br), assim a doutora Tânia Sanaiotti, que tornou-se coordenadora deste projeto, de imediato encaminhou à informação, culminada com a visita de sua equipe de pesquisadores e colaboradores à reserva.

Encontrado o antigo ninho da Harpia, localizado no alto de um velho Jatobá, visitas mais frequentes e observações minuciosas revelaram a presença de filhotes. Olha só! Nosso Gavião-Real não é o último de sua espécie, e agora ele é mascote da estação, à espera de um nome.

Durante a visita, Raymundão apetitou-se pelos frutos de Jatobá caídos no chão. Abaixa-se e perde, seguramente, seu quinto par de óculos do ano. Procurou... procurou... Até que desistiu, jurando voltar à procura no dia seguinte, data da visita dos pesquisadores do Projeto à reserva.

Retomada a procura, achou tal adereço. Felizmente antes da chegada da equipe de pesquisadores, cuja metodologia de pesquisa manda recolher sob a árvore do ninho fragmentos das presas levadas para alimentação do bebê Harpia, para identificar sua dieta alimentação na região.

Afinal qual conclusão seria tirada ao encontrar um par de óculos debaixo de um ninho de Gavião-Real, sabendo-se que ali sobram os restos de sua alimentação? Coitado do compadre Raymundão!

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